Alimentação vegana reduz risco de câncer
Ciências da saúde

Alimentação vegana reduz risco de câncer?

Ontem, matéria do Veganismo e Ciência abordou estudo que apontava a alimentação vegana como preventiva do câncer de pâncreas. Entretanto, segundo os autores da pesquisa, uma dieta vegana pode evitar também outros tipos de câncer. Eles declararam que “uma dieta vegana ou ‘quase vegana’, com baixo teor de proteína, pode ter grande potencial de diminuir o risco de uma variedade de cânceres ocidentais comuns”. Eles chamaram de ‘quase vegana’ uma dieta vegana adotada antes da segunda metade do século XX no Japão, que incluía pequenas porções de peixe.

De fato, hoje em dia, já são abundantes as evidências científicas que apontam a alimentação vegana – vegana mesmo, e não “quase vegana” – como fator de proteção contra vários tipos de câncer. A adoção do veganismo reduz a incidência dessa doença. Os mecanismos por meio dos quais essa proteção ocorre são diversos. Isso em função dos vários benefícios que essa alimentação oferece à saúde. Por exemplo, matéria anterior do Veganismo e Ciência comentou que a dieta vegana é pobre em metionina, um aminoácido (molécula que compõe proteínas) essencial cuja redução ajuda a proteger o organismo de danos e câncer. A redução do consumo de metionina auxilia inclusive no tratamento de tumores cancerígenos. Esse aminoácido é encontrado em grandes quantidades em carnes, ovos e laticínios. Portanto, evitar o consumo de produtos de origem animal auxilia na prevenção de câncer e, segundo estudos, principalmente do câncer colorretal. Reduz também o risco de câncer de próstata e de mama, entre outros. Isso tudo está bem evidente na literatura científica.

Não é de se estranhar, portanto, que o estudo aqui debatido tenha apurado uma relação entre uma dieta vegana – ou quase vegana com baixo teor de proteína – e menor risco de câncer de pâncreas, assim como próstata, mama e colo de útero. O fato inúmeros estudos terem evidenciado que uma dieta vegana, propriamente dita, reduz o risco para esses cânceres mostra que o peixe não deve ter muito a ver com essa proteção. E, aliás, se o ômega-3 é fator de proteção que vem do peixe, o vegano encontra esse nutriente em vários vegetais, incluindo os marinhos, como as microalgas. Matéria do Veganismo e Ciência apontou as fontes veganas de ômega-3.

Uma outra via pela qual a alimentação vegana reduz o risco de câncer é apontada pelos autores. Essa via é a prevenção de obesidade e de síndrome metabólica, que é a combinação de condições como obesidade, pressão alta, diabetes e colesterol alto. Isso porque, como afirmam os pesquisadores, a obesidade e a síndrome metabólica elevam o risco de desenvolvimento de múltiplos cânceres. Se a alimentação vegana evita essas condições, acaba evitando também os cânceres a elas associados.

Com base nesses achados, os autores defendem aquilo que eles próprios chamam de “estilo de vida com baixo risco de câncer”. Para eles, esse estilo seria caracterizado por aspectos como uma dieta vegana ou ‘quase vegana’, com baixo teor de proteína e exercícios regulares, no qual o consumo de tabaco e álcool seria evitado. Esse estilo incluiria ainda o uso de certos suplementos, como zinco, vitamina D, ácidos graxos ômega-3, selênio, isoflavonas de soja e espirulina ou spirulina (microalgas). Eles argumentam que alimentos funcionais, fortificados, “podem ser desenvolvidos para tornar essa suplementação mais conveniente e viável”.

Os pesquisadores alertam ainda sobre a importância dos exames preventivos – estratégias de detecção precoce –, que são absolutamente cruciais na prevenção do câncer. Alguns desses exames são o papanicolaou, as colonoscopias, os testes de PSA (antígeno prostático específico), etc. Essa estratégia faria parte do “estilo de vida com baixo risco de câncer”. Os autores reforçam que “esse estilo de vida provavelmente reduziria significativamente o risco de mortalidade por câncer”.


Referências bibliográficas:

  • González N et al. Meat consumption: Which are the current global risks? A review of recent (2010-2020) evidences. Food Res Int 2020;137:109341. Disponível em https://doi.org/10.1016/j.foodres.2020.109341
  • McCarty MF et al. Age-adjusted mortality from pancreatic cancer increased NINE-FOLD in japan from 1950 to 1995 – Was a low-protein quasi-vegan diet a key factor in their former low risk? Med Hypotheses 2021;149:110518. Disponível em https://doi.org/10.1016/j.mehy.2021.110518
  • Sanderson SM et al. Methionine metabolism in health and cancer: a nexus of diet and precision medicine. Nat Rev Cancer 2019;19:625–637. Disponível em https://doi.org/10.1038/s41568-019-0187-8

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