Agropecuária - gases de efeito estufa vêm dos bois
Ciências agrárias

Agropecuária – gases de efeito estufa vêm dos bois

Na agropecuária, as emissões de gases de efeito estufa vêm principalmente da criação de rebanhos bovinos, ou seja, dos bois. Segundo análise do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), a agropecuária foi a maior fonte emissora de gases de efeito estufa em 65,8% dos municípios brasileiros em 2018. Isso representa um total 3.666 municípios. Aqueles que mais emitiram estão localizados nos estados de Mato Grosso, Pará e Mato Grosso do Sul. E por que estes foram os que mais emitiram? Porque eles possuem os maiores rebanhos bovinos, de acordo com o SEEG.

O município que mais emite no Brasil é São Félix do Xingu, que fica no Pará. Sozinho, ele foi responsável por 29,7 milhões de toneladas brutas das emissões de CO2 em 2018. “Desse total, as mudanças de uso da terra, em sua maior parte provenientes do desmatamento, respondem por 25,44 milhões de toneladas, seguidas pela agropecuária, com 4,22 milhões de toneladas de CO2, emitidas principalmente pela digestão do rebanho bovino. O município paraense tem o maior número de cabeças do país”, informou o SEEG. A necessidade de abertura de áreas para pastagens – e para produção agrícola de alimentos para os próprios animais que vão virar produtos – acaba gerando desmatamento, o que envolve queima florestal e, com isso, mais emissão de gases de efeito estufa.

A análise de emissões brasileiras de gases de efeito estufa referente a 2019, conduzida pelo SEEG, trouxe mais resultados alarmantes. “Em 2019, as emissões do setor de agropecuária totalizaram 598,7 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, um aumento de 1,1% em relação ao ano de 2018. O subsetor que mais contribuiu com as emissões totais (61,1%) foi a fermentação entérica, nome dado ao processo de digestão de celulose no rúmen [estômago] de animais como bovinos, que emite metano (o popular ‘arroto do boi’). Bovinos de corte e leite respondem por 97% das emissões por fermentação entérica”, revelou a publicação.

E, como todos sabem, esses animais são produzidos pelos humanos, que forçam a reprodução em grande escala para fins comerciais. Em geral, fazem isso por meio de inseminação artificial. Acabam gerando animais em excesso que frequentemente são abatidos e descartados como lixo. Ironicamente, essa crueldade desnecessária destrói o planeta e a saúde humana. Isso não apenas porque os produtos de origem animal causam doenças, mas também porque as emissões de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas geram problemas de saúde e sociais, tragédias e morte.

Afinal, essas emissões estão intimamente ligadas às mudanças climáticas que vêm assolando o planeta. O fenômeno torna mais frequentes eventos como as ondas extremas de frio e calor – tais como os atuais incêndios no Canadá e na Europa – e as chuvas torrenciais – como as que desencadearam enchentes, mortes e destruição na Alemanha há algumas semanas.


Referências bibliográficas:

SEEG. Análise das Emissões Brasileiras de Gases de Efeito Estufa e suas Implicações para as Metas de Clima do Brasil 1970-2019. Disponível em https://seeg-br.s3.amazonaws.com/Documentos%20Analiticos/SEEG_8/SEEG8_DOC_ANALITICO_SINTESE_1990-2019.pdf


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