produção de frutos do mar vegetais
Ciências biológicas

Dados apoiam produção de frutos do mar vegetais

O desenvolvimento de análogos – imitações – de carne à base de vegetais contribuirá para uma produção de alimentos mais sustentável, com benefícios ao meio ambiente, à saúde pública e ao bem-estar animal. É o que defendem pesquisadores da Faculdade de Biotecnologia e Engenharia de Alimentos do Instituto de Tecnologia de Israel. Eles argumentam que o mercado de imitações de carne à base de vegetais tem aumentado constantemente, um nicho que se estende aos frutos do mar. “Imitar uma estrutura, textura e propriedades sensoriais da carne de peixe é um nicho emergente no campo dos análogos da carne”. Artigo sobre o tema foi publicado na revista suíça Molecules.

No artigo, os autores destacam o público-alvo dessa produção e os benefícios para as gerações atuais e futuras, como para o meio ambiente. Segundo eles, “veganos e vegetarianos, que evitam frutos do mar de origem animal por razões humanitárias e de sustentabilidade” podem “desfrutar de alimentos alternativos altamente semelhantes, não exigindo a morte de animais”. Argumentam ainda que outros beneficiados serão os que consomem alimentos Kosher, que apreciam sabor e da textura dos frutos do mar, e poderão consumir as imitações vegetais sem violar suas regras religiosas. Além disso, defendem que “o meio ambiente e, consequentemente, as gerações futuras, irão se beneficiar de menos perturbação para os ecossistemas marinhos e de melhor sustentabilidade”.

A oferta de Imitações de carne de peixe é crescente no mercado. Créditos: incrivelseara.com.br

Não faltam razões para a produção de frutos do mar vegetais

Os pesquisadores explicam que, de fato, “hoje em dia, há uma necessidade global crescente de mudar as dietas baseadas em animais para vegetais”. E apresentam várias razões para isso.

Primeiro, referem-se ao aumento da população global e do alto consumo de alimentos de origem animal. Para eles, tal fenômeno leva à diminuição dos recursos naturais da terra e também da água potável, necessários para sustentar a base agrícola da produção desses alimentos de origem animal. “Isso leva a uma imensa pressão ambiental, diminuindo a biodiversidade e aumentando a poluição ambiental, o aquecimento global e as consequências adversas relacionadas”, explicam.

O segundo motivo, segundo eles, seria o estilo de vida pouco saudável. Este envolve nutrição desequilibrada e atividade física insuficiente, que gerou aumento de doenças crônicas, síndrome metabólica, obesidade e câncer. “Em particular, o alto consumo de carne vermelha tem suscitado grandes preocupações, devido à sua correlação com elevadas taxas de morbidade e mortalidade”, afirmam.

Como terceiro ponto, os autores destacam as crescentes preocupações com o bem-estar animal. Explicam que é do interesse de muitos a substituição da produção tradicional de carne, incluindo peixe, por alternativas baseadas em vegetais. Advertem que a elevada produção marinha de peixes e frutos do mar pode ter impactos negativos no ecossistema, em virtude de consequências como redução da biodiversidade marinha, danos ambientais e doenças causadas pelo consumo de peixes. “Além disso, a devolução de capturas indesejadas ao mar tornou-se uma preocupação para a Comissão Europeia, que desenvolveu uma reforma da Política Comum da Pesca para combater este comportamento ambientalmente irresponsável”.

De fato, as capturas indesejadas, a que os autores se referem, é tragicamente comum. Nas atividades de pesca, várias espécies animais indesejadas, como, por exemplo, golfinhos, são acidentalmente capturadas e depois descartadas, como lixo.

Em reforço às suas justificativas, os autores citam ainda diversas pesquisas sobre o consumo de peixes e frutos do mar enquanto prática que gera a ingestão de substâncias tóxicas, tais como metais pesados – sobretudo, o mercúrio do atum, em decorrência da poluição ambiental das águas.

Realmente, justificativas não faltam. Embora, em função da imensa diversidade e disponibilidade de alimentos vegetais naturais, os produtos que imitam sabor e textura da carne não sejam necessários, muitas pessoas precisam deles para deixar de consumir produtos de origem animal. Afinal, muita gente não abre mão, pelo menos por enquanto, desses sabores. Sendo assim, a produção desses análogos é muito bem-vinda.

O artigo completo, em que os autores descrevem também técnicas de produção de frutos do mar vegetais, está disponível para leitura em https://www.mdpi.com/1420-3049/26/6/1559


Referências bibliográficas:

  • Kazir M, Livney YD. Plant-Based Seafood Analogs. Molecules 2021;26(6):1559.

Comentários