Alimentação vegana e longevidade
Ciências da saúde

Alimentação vegana e longevidade

Estudo aponta alimentação vegana como possível opção para aumentar a longevidade e ajudar na prevenção e controle de doenças relacionadas à idade, como diabetes, obesidade e câncer. Isso porque os vegetais apresentam menor quantidade de metionina, um aminoácido presente em grandes quantidades em proteínas animais. A metionina é essencial, mas, em grandes quantidades, produz danos aos organismo. O estudo foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Kanazawa, de Uchinada, Japão, e publicado na revista científica Biomedicines.

Os pesquisadores explicam que a redução do consumo do aminoácido metionina está relacionada à longevidade e à saúde metabólica, isto é, à prevenção de doenças metabólicas, como diabetes e obesidade. Segundo pesquisas, reduzir o consumo de metionina auxilia ainda no tratamento de tumores cancerígenos. Em parte, isso ocorre porque a redução da metionina no corpo diminui o estresse oxidativo. Mas, o que é estresse oxidativo? Esse conceito está relacionado com os radicais livres, substâncias reativas que podem causar danos ao organismo.

Metionina e estresse oxidativo

No nosso corpo, deve haver um equilíbrio entre a produção de agentes oxidantes, como os radicais livres, e mecanismos antioxidantes – que protegem o corpo da ação dos radicais livres. A situação em que os radicais livres (oxidantes) superam os mecanismos de defesa antioxidante é chamada de estresse oxidativo. Esta situação está associada a várias doenças, incluindo câncer.

De acordo com os autores, a restrição de calorias, por meio de ajuste nutricional, tem sido reconhecida como um dos métodos que prolongam a vida e melhoram a saúde metabólica. Esse resultado se daria, em parte, porque a redução de calorias reduziria o estresse oxidativo. Entretanto, conforme informam os pesquisadores, estudos recentes indicam que, na verdade, é a restrição de proteínas que pode produzir esses efeitos benéficos, ou seja, aumentar a expectativa de vida e reduzir a ocorrência de doenças relacionadas à idade.

Mais precisamente, a restrição de um certo aminoácido (molécula que compõe proteínas) produz esses efeitos benéficos. Esse aminoácido é a metionina, que está contida em grandes quantidades na proteína animal, como carne bovina, de porco, de aves, de peixe e ovos. Já na proteína vegetal, como nozes, sementes, leguminosas, cereais, frutas e outros vegetais, a metionina se encontra em níveis bem mais baixos.

Proteína vegetal – metionina em doses seguras

Por outro lado, como a metionina é um aminoácido essencial – ou seja, que não é produzido pelo organismo –, ela é necessária para a manutenção da saúde. Porém, a quantidade encontrada nos alimentos vegetais é suficiente para atender às necessidades nutricionais sem expor o organismo aos malefícios do excesso encontrado nos alimentos de origem animal.

A proteína do arroz tem metionina em quantidades adequadas, sem os excessos da proteína animal. Junto com feijão, oferece todos os aminoácidos essenciais. Créditos: yilmazfatih / Pixabay.

Um bom exemplo de alimentação nutritiva com quantidades seguras de metionina é a combinação de arroz com feijão. A proteína do feijão apresenta todos os aminoácidos essenciais, mas é pobre em metionina. Já a proteína do arroz contém metionina numa quantidade adequada, sem os excessos da proteína animal. Outros elementos do arroz e do feijão se complementam, tornando essa dupla uma combinação rica em proteínas, carboidratos, vitaminas e sais minerais. Quando o arroz é integral, a combinação torna-se ainda mais nutritiva. Juntos, arroz e feijão fornecem quantidades de proteínas equivalentes a um pedaço de carne.

Quem não gosta muito de feijão, pode optar por combinar o arroz com lentilha, grão-de-bico ou ervilha, por exemplo. De qualquer modo, há muitos combinações vegetais nutritivas e completas. Basta consultar um nutricionista ou nutrólogo para receber orientações sobre as combinações perfeitas para cada pessoa, conforme suas preferências e condições individuais, incluindo doenças pré-existentes e idade. Afinal, crianças, adolescentes e mulheres grávidas podem precisar de um aporte maior de proteínas e de outros nutrientes. A orientação profissional atende essas necessidades específicas e oferece tranquilidade aos pais e responsáveis.

A matéria de anteontem, aqui do Veganismo e Ciência, também se referiu a estudos que apontam a dieta vegana como auxiliar na prevenção e tratamento do diabetes e da obesidade, entre outras doenças. Isso mostra que as evidências a esse respeito têm se confirmado. Na verdade, inúmeros estudos científicos já estabelecem essa relação. E se a alimentação vegana previne tantos problemas de saúde, é de se esperar que propicie também longevidade.


Referências bibliográficas:

  • Kitada M et al. Effect of Methionine Restriction on Aging: Its Relationship to Oxidative Stress. Biomedicines 2021;9(2):130. Disponível em https://www.mdpi.com/2227-9059/9/2/130
  • Lemes VRR et al. Avaliação de resíduos de agrotóxicos em arroz e feijão e sua contribuição para prevenção de riscos à saúde da população consumidora. Rev Inst Adolfo Lutz 2011;70(2):113-121.

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