Consumo de carne – destruição e autodestruição
Editorial

Consumo de carne – destruição e autodestruição

“A carne é um assassinato não apenas para os animais, mas também para o meio ambiente”, declara Richard York, professor e pesquisador da Universidade de Oregon, Estados Unidos, em publicação na revista Nature Sustainability. Ele alerta que a produção de carne consome intensivamente recursos terrestres e hídricos e é responsável por uma parte substancial das emissões de gases de efeito estufa, desmatamento e a perda de biodiversidade.

De fato, como mostram as publicações do Veganismo e Ciência – todas baseadas em trabalhos científicos –, ao manter o consumo de carne, os humanos seguem seu caminho de destruição e autodestruição. É uma escolha difícil de compreender, não faz sentido. Afinal, muito esforço tem sido feito no sentido de conscientizar a pessoas sobre esse enorme problema evitável. Todavia, estranhamente, elas ignoram. Preferem enxergar os ativistas como sujeitos inconvenientes, fanáticos, extremistas ou inimigos. Tudo para defender a carne no prato.

Como atesta a ciência, o consumo de carne está associado a inúmeros de problemas de saúde, como pressão alta, infarto, derrame, diabetes, obesidade e câncer. Hoje, só se fala em covid-19, mas quantas vidas são perdidas todos os dias para essas doenças com as quais – anestesiados – aprendemos a conviver? Os recursos medicamentosos utilizados nos tratamentos dessas doenças e problemas de saúde não resolvem nada sem estrago. É de conhecimento geral que medicamentos tratam problemas ao mesmo tempo que causam outros. Para comprovar isso, basta ler as bulas e a abundância de publicações científicas sobre os efeitos colaterais (adversos) dessas drogas. Isso porque, com nossos hábitos deletérios, destruímos o que é perfeito e depois não somos capazes de criar uma solução perfeita – ou remediação perfeita.

Por isso, tanto se fala em prevenção. Muitas dessas doenças são evitáveis. A maior parte das mortes e sequelas se dá por problemas de saúde evitáveis. A prevenção nos livraria da necessidade constante de usar o recurso traiçoeiro chamado medicamento. A prevenção é o melhor remédio – um clichê que representa a mais pura verdade. Prevenir a doença é muito melhor do que ter que tratar, ninguém duvida, muito menos a ciência. Alimentação saudável e atividade física regular – sim, regular, não é maneira de dizer – são boa parte da fórmula da vida saudável. Paz emocional também contribui com a saúde. E a paz interior que vem da sensação de saber que a comida na mesa não custou o agonizante sofrimento e a morte de inocentes indefesos é indescritível.

E se a covid-19 é o assunto, a origem do problema é a mesma – o consumo e a manipulação de carne. Covid-19 é uma zoonose, neste contexto, doença adquirida a partir do consumo de carne animal, assim como gripe aviária, gripe suína, H1N1, ebola e até mesmo o vírus HIV, causador da AIDS. Aqui são citadas apenas algumas doenças associadas ao consumo e a manipulação de carne. Existem mais e infelizmente sabemos que outras virão.

Os microorganismos, especialmente bactérias, super resistentes também aumentam a lista de mortes e sequelas. Matéria do Veganismo e Ciência comentou que a produção de alimentos é um foco de criação de resistência microbiana a antibióticos. Muitos microorganismos causadores de doenças nos humanos tornam-se resistentes aos antibióticos em consequência da produção de alimentos de origem animal. Isso porque a maior parte dos antibióticos é utilizada na produção de animais para consumo. Para conferir, leia matéria da revista Fapesp. Afinal, aqui no Veganismo e Ciência, só se transmite o que diz a própria ciência.

Contudo, o estrago não para por aí. Vários estudos científicos têm destacado o papel da produção de alimentos de origem animal na destruição do planeta. Não à toa, o Veganismo de Ciência faz essa abordagem em várias matérias. A pecuária causa uma série de danos ambientais, como desmatamento, degradação do solo, perda de biodiversidade, contaminação da água e emissão de gases de efeito estufa. Se não mudarmos nossas atitudes, essa devastação levará à escassez de recursos – como, por exemplo, falta de água – e tornará nosso planeta inabitável.

Já é clichê – mais um – argumentar que só temos este planeta. Se o destruirmos, não há para onde correr. Mas, mesmo assim seguem os humanos em seu caminho de destruição e de autodestruição. Tudo poderia ser diferente. Se a vida, se o mundo pode ser um lugar melhor, com mais saúde, qualidade de vida, segurança, amor e felicidade, nós sabemos qual a solução. Parar de consumir carne e outros produtos derivados de animais. O que estamos esperando?


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