Entre dietas ‘bem elaboradas’, ganha a vegana
Ciências da saúde

Entre dietas ‘bem elaboradas’, ganha a vegana

Entre dietas consideradas ‘bem elaboradas’, ganha a dieta vegana. É o que conclui estudo da Universidade de Ljubljana e da Universidade de Primorska, situadas na Eslovênia. Segundo os pesquisadores, os resultados obtidos fornecem novas evidências de que, entre ‘dietas bem elaboradas’, a vegana permite composição corporal e saúde cardiovascular mais favoráveis do que a não vegana, mesmo entre indivíduos com estilo de vida similar, fisicamente ativos. Os resultados foram publicados neste mês na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health.

Participaram do estudo 51 veganos e 29 não veganos classificados como indivíduos ‘preocupados com a saúde’. Eles foram incluídos na pesquisa porque eram fisicamente ativos e adotavam uma dieta saudável. Suas dietas, veganas ou não, foram consideradas ‘bem elaboradas’ pelos pesquisadores. Tais dietas apresentavam alto teor de fibras, bem como baixo teor de gorduras saturadas e de açúcar. Além disso, todos eles adotavam um estilo de vida similar.

No entanto, mesmo assim, os veganos apresentaram um perfil de saúde mais favorável. Primeiramente, eles tinham um menor índice de massa corporal – Isto é, melhor relação entre peso e altura – do que os não veganos. Porém, mesmo sendo mais magros, os veganos mostraram-se menos propensos a pular refeições. “É importante ressaltar que os não veganos pularam todas as refeições principais com mais frequência do que os veganos, e a maior diferença se deu no café da manhã”, revelaram os autores. Além disso, os veganos tinham também uma menor taxa de colesterol ruim e pressão mais baixa.

No que diz respeito à ingestão de nutrientes, os veganos superaram os não veganos. A alimentação vegana mostrou-se mais nutritiva do que a não vegana, com mais fibras e menor ingestão de gorduras saturadas. Entretanto, ambas as dietas forneciam teor insuficiente de ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa ômega-3. Por exemplo, na alimentação adotada pelos veganos participantes do estudo, a oferta de ácidos graxos eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA) estava abaixo da necessária.

Já a ingestão de vitamina B12, tanto por veganos quanto por não veganos, foi até superior à recomendada. Por outro lado, é importante observar que 98% dos veganos e 87% dos não veganos faziam uso de suplementos, incluindo os multivitamínicos. Quanto à suplementação de B12, especificamente, 71% dos veganos consumiam as formas isoladas – isto é, suplementos contendo apenas vitamina B12. Os demais optavam pelos suplementos multivitamínicos que incluíam B12 em sua composição.

Os autores comentaram que os vários benefícios à saúde associados à dieta vegana, apontados em pesquisas recentes, aumentou o interesse nessa dieta. De fato, como eles afirmam, a alimentação vegana reduz o risco de doenças crônicas comuns e tem sido reconhecida como benéfica por várias instituições. Contudo, como os veganos costumam ter um estilo de vida mais saudável, há quem pergunte se não é daí que vêm os benefícios encontrados nas pesquisas. É a dieta em si que produz os benefícios ou o estilo de vida vegano? Foi este questionamento que levou os pesquisadores a compararem veganos e não veganos com estilos de vida semelhantes. Ambos os grupos eram fisicamente ativos, tinham uma alimentação bem elaborada. Mas, como destaca o título desta matéria, entre dietas ‘bem elaboradas’, ganha a vegana. É a alimentação vegana que faz diferença na saúde. Go vegan!


Referências bibliográficas:

  • Jakse B et al. Nutritional, Cardiovascular Health and Lifestyle Status of ‘Health Conscious’ Adult Vegans and Non-Vegans from Slovenia: A Cross-Sectional Self-Reported Survey. Int J Environ Res Public Health 2021;18(11):5968. Disponível em https://doi.org/10.3390/ijerph18115968

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