Veganas e fraturas
Ciências da saúde

Vitamina D e cálcio protegem veganas de fraturas

Matéria publicada ontem aqui no Veganismo e Ciência discutiu a saúde óssea dos veganos, segundo pesquisas que apontam a necessidade de atenção quanto à ingestão de nutrientes essenciais para manter os ossos fortes. A matéria de hoje apresenta as conclusões de um estudo recém publicado na revista científica The American Journal of Clinical Nutrition. Os resultados mostraram que a suplementação de vitamina D e cálcio reduz o risco de fraturas em mulheres veganas na menopausa. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Loma Linda, Califórnia, Estados Unidos, e envolveu mais de 34 mil pessoas, incluindo quase três mil veganos.

Os participantes do estudo foram mulheres brancas não hispânicas na perimenopausa (período anterior à menopausa) e pós-menopausa e também homens com 45 anos ou mais, residentes nos Estados Unidos e Canadá. Eles foram acompanhados pelos pesquisadores por cerca de oito anos. Nesse período, os pesquisadores observaram que o risco de fratura variou e que houve uma relação entre esse risco e a suplementação com vitamina D e cálcio.

Porém, os resultados foram muito diferentes para homens e para mulheres. Sem suplementação, as mulheres veganas realmente chegaram a apresentar um risco maior de fratura de quadril do que as não veganas. Em contraste, as que recebiam suplementação, não apresentaram maior risco do que as que seguiam outros padrões alimentares. Já para os homens, não houve diferença entre o grupo vegano e o grupo não vegano. De fato, na menopausa, as mulheres, veganas ou não, ficam mais sujeitas a fraturas do que os homens na mesma faixa etária. Isso está relacionado com a queda dos hormônios femininos (os estrogênios) que protegem os ossos. Na mulher, essa queda hormonal, que é muito rápida, gera perda de massa óssea.

A suplementação de cálcio e vitamina D é muito comum também entre mulheres não veganas que estejam nos períodos de pré e pós-menopausa. Quem define a necessidade de suplementação é o médico com base em parâmetros clínicos individuais. Ele avaliará se a suplementação é realmente necessária e, caso sim, definirá a dose adequada para cada pessoa. Pois, afinal, sabe-se que a melhor fonte de cálcio é a própria alimentação. Esta deve ser ajustada para que se obtenha as quantidades necessárias desse nutriente. Uma alimentação adequada pode, de fato, dispensar a necessidade de suplementação. Tofu, couve, brócolis e amêndoas, por exemplo, são alimentos ricos em cálcio. No entanto, não se pode esquecer que o cálcio não é efetivo sem a vitamina D. Além disso, realizar a atividade física fortalece os ossos, diminuindo o risco de fraturas e a necessidade de suplementação.


Referências bibliográficas:

  • Thorpe DL et al. Dietary patterns and hip fracture in the Adventist Health Study 2: combined vitamin D and calcium supplementation mitigate increased hip fracture risk among vegans, The American Journal of Clinical Nutrition 2021;nqab095. Disponível em https://doi.org/10.1093/ajcn/nqab095

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