Carne de laboratório: JBS lidera investimentos no setor da carne cultivada
Ciências agrárias Ciências biológicas

Carne de laboratório: JBS lidera investimentos no setor da carne cultivada

Diante das vantagens da carne de laboratório, JBS, maior empresa de alimentos do mundo, lidera investimentos no setor. Somente aqui no Brasil, a JBS está investindo um total de US$ 60 milhões na construção do JBS Biotech Innovation Center, em Santa Catarina1.

O presidente da unidade é o professor Luismar Marques Porto, um dos maiores especialistas em bioengenharia do país1.

Agora, por que uma empresa desse porte tem tanto interesse nesse mercado? Leia a matéria e entenda.

Carne cultivada, também chamada de carne de laboratório – como é feita

A carne feita em laboratório – ou melhor, carne cultivada – é produzida a partir da multiplicação e maturação de células extraídas de animais (boi, ave, porco, ovelha, peixe, camarão etc.)2.

Essas células são extraídas do animal do animal de interesse por biópsia, ou seja, sem abate. Sendo assim, tal extração pode ser realizada uma única vez. Isso porque, a partir de uma única célula, é possível produzir toneladas de carne, tornando, portanto, desnecessário o uso do animal.

Tal produção ocorre em equipamentos especializados chamados biorreatores. Para garantir o sucesso desse processo biotecnológico, esses equipamentos seguem rigorosas medidas de higiene e segurança2.

Ciente das incalculáveis vantagens da carne laboratório, JBS visa o retorno garantido desse investimento

Uma biofazenda, local destinado à produção de carne cultivada, pode produzir centenas de toneladas por ano, o que equivale a milhares de bois ou dezenas de milhares de “frangos”. Isso porque tal processo permite a conversão de uma única célula na quantidade de carne equivalente a 3 mil ou mais bois2.

Aliás, na verdade, a mesma quantidade de carne que é possível produzir em dois anos a partir de um novilho – gastando muita água, pasto e ração – os biorreatores são capazes de produzir em apenas três semanas. E isso em unidades compactas que se pode instalar em pequenas áreas industriais2.

Além disso, o processo de produção da carne cultivada permite torná-la mais segura, saudável, nutritiva e saborosa do que a convencional. Dessa forma, ela pode realmente imitar e superar cortes comerciais, com a quantidade certa de músculo, gordura, fibras e nutrientes, bem ao gosto do consumidor e de suas necessidades2.

De fato, para esse mercado, as possibilidades são muitas. Os produtos híbridos, que combinam carne cultivada e proteína vegetal, são outra tendência desse mercado1.

Não à toa, para manter a liderança da produção de carne de laboratório, JBS já investiu US$ 100 milhões

Como resultado de todo esse potencial, o investimento da JBS no mercado da carne cultivada já chega a nada menos do que US$ 100 milhões. Em maio de 2022, a multinacional assumiu o controle da empresa espanhola BioTech Foods.

Essa aquisição é especialmente estratégica. Afinal, a BioTech Foods é uma das líderes no desenvolvimento de biotecnologia para a produção de proteína cultivada e ainda conta com apoio e financiamento do governo espanhol e da União Europeia1.

A crescente expansão desse mercado gerará muitas oportunidades, o que já vem estimulando iniciativas de capacitação para quem deseja aproveitar a demanda.


Leia também:

Top 5 vantagens da carne cultivada, para a ciência
Carne cultivada para saciar a ânsia alucinante


Referências:

  1. Proteína cultivada vai contribuir para alimentar a população global. https://valor.globo.com/patrocinado/jbs/net-zero/noticia/2022/11/01/proteina-cultivada-vai-contribuir-para-alimentar-a-populacao-global.ghtml
  2. Carne cultivada: Um futuro presente, por Luismar Porto. https://www.noticiasagricolas.com.br/artigos/artigos-geral/296323-carne-cultivada-um-futuro-presente-por-luismar-porto.html#.ZD7LkHbMLrc

Comentários