Maioria trocaria carne convencional por cultivada
Ciências biológicas

Maioria trocaria carne comum por cultivada

A maioria das pessoas trocaria a carne convencional pela versão cultivada em laboratório. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Grande Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. A pesquisa online envolveu 225 consumidores da região sudeste do Brasil. Os resultados foram publicados na revista científica americana PLOS ONE.

De acordo com a pesquisa, 57% dos participantes informaram estar dispostos a comer carne cultivada em laboratório em substituição à carne convencional. Além disso, 81% deles estariam dispostos a experimentá-la e 61% a comê-la regularmente. Os consumidores participantes eram escolarizados – 90% completaram o ensino médio e 41% a faculdade – e estavam empregados.

A pesquisa apurou também as razões que motivaram as escolhas dos participantes. Entre elas, destacou-se o fato de que a carne cultivada em laboratório elimina o risco de transmissão de doenças originadas pelo consumo de carne convencional (zoonoses), como a Covid-19, a gripe suína e a aviária. Outras razões foram o bem-estar animal e a preservação do meio ambiente.

Para os autores, esses resultados podem ser úteis em campanhas de marketing que visam aumentar a aceitação da carne cultivada. Eles informam que os comerciantes devem aproveitar todas as oportunidades para informar os consumidores sobre a segurança e os benefícios para a saúde que o produto oferece. Explicam que os produtores podem destacar que, além de conter baixo teor de gordura, a carne cultivada é nutritiva e oferece menor risco de doenças e de contaminação. As vantagens da carne cultivada foram discutidas em matéria anterior aqui no Veganismo e Ciência.

Segundo os pesquisadores, conforme apontou estudo anterior, as mensagens que enfocam os benefícios de segurança e saúde da carne cultivada são provavelmente mais persuasivas do que aquelas focadas na qualidade e no sabor. Entretanto, eles acrescentam que outras mensagens podem destacar os benefícios da carne cultivada para o meio ambiente e para os animais. “Quando disponível comercialmente, os benefícios da carne cultivada podem ser comunicados aos consumidores, por exemplo, na loja, em rótulos e via mídia social”. Eles argumentam que, segundo pesquisas, informações positivas adicionais aumentam a aceitação desse produto.

Os autores destacam ainda outra estratégia que pode melhorar a aceitação desse produto – o nome. Eles informam que usar termos diferentes do que ‘carne cultivada’ pode ser comercialmente mais interessante. “Por exemplo, quando o termo ‘carne limpa’ é usado, os consumidores tendem ter reações mais positivas à carne cultivada do que quando o termo ‘carne cultivada em laboratório’ é usado”.

Por fim, os pesquisadores apostam na preferência pela carne cultivada. “Os consumidores provavelmente prefeririam carne cultivada por causa de seus benefícios para a saúde, o meio ambiente e os animais”. É o que confirmaremos em breve, quando o produto estiver disponível aqui no Brasil. Em Singapura, ele já começou a ser comercializado pela fabricante californiana Eat Just, como noticiou no mês passado o Jornal Valor Econômico. A comercialização em Singapura foi aprovada em dezembro de 2020.


Referências bibliográficas:

  • de Oliveira GA et al. Analyzing the importance of attributes for Brazilian consumers to replace conventional beef with cultured meat. PLoS One 2021;16(5):e0251432. Disponível em 10.1371/journal.pone.0251432

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