Dieta vegana no diabetes infantil
Ciências da saúde

Dieta vegana no diabetes infantil do tipo 1

Artigo científico orienta sobre como adequar a dieta vegana no diabetes infantil do tipo 1. As autoras são pesquisadoras da Unidade de Diabetologia Pediátrica da Universidade de Roma, Itália. O artigo foi publicado na última edição da revista científica Metabolism Open.

O diabetes do tipo 1 é uma doença autoimune crônica caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Por isso, esse tipo de diabetes requer o uso de insulina por toda a vida. De acordo com a publicação, a terapia com insulina, o exercício físico e a alimentação correta formam as bases do tratamento da doença. Porém, conforme admitem as autoras, “é sabido que o cuidado nutricional de crianças com diabetes é complexo”.

Quando o assunto é dieta vegana no diabetes infantil, as autoras esclarecem que o status (nível no corpo) de certos nutrientes deve ser monitorado anualmente por especialistas em diabetes. Tais nutrientes são, sobretudo, vitamina B12, ferro, zinco, vitamina D e ácidos graxos ômega-3, especialmente DHA (ácido docosahexaenoico). Se alguma deficiência for encontrada, deve-se recorrer aos suplementos. Sabe-se que, porém, a suplementação com vitamina B12 é, em geral, necessária, principalmente em crianças.

É verdade que, por outro lado, como explicam as autoras, quando uma pessoa adere a uma dieta vegana, se não houver reposição de vitamina B12, a deficiência dessa vitamina se desenvolve lentamente. Isso porque o fígado armazena quantidades suficientes para durar vários anos. No entanto, sabe-se que, na verdade, muitos onívoros e ovolactovegetarianos também apresentam deficiência de vitamina B12. Ou seja, o fato de ter iniciado recentemente uma dieta vegana não livra uma pessoa da necessidade de suplementação dessa vitamina. Vale a mesma regra de sempre. Consulte um profissional para que ele providencie os exames que avaliam o status (nível) de vitamina B12 e verifique se já é o caso de utilizar suplementos.

Quanto aos exames, as autoras explicam que o nível de vitamina B12 no sangue não é suficiente para descartar sua deficiência. E por quê? Porque a alimentação vegana é tipicamente caracterizada por um alto teor de folato. E este pode mascarar os sinais sanguíneos de deficiência de vitamina B12. Porém, o folato não previne os efeitos maléficos da deficiência de vitamina B12 no sistema nervoso. Portanto, segundo as autoras, os profissionais devem avaliar o status da vitamina B12 por meio de exames que quantificam a homocisteína, a holotranscobalamina II e o ácido metilmalônico. Estas substâncias são marcadores que ajudam o profissional a avaliar se um indivíduo tem ou não deficiência de vitamina B12.

Como também referido pelos autores do artigo comentado na matéria publicada pelo Veganismo e Ciência na última sexta-feira (02/07/2021), as autoras alertam que o uso do medicamento antidiabético metformina prejudica a absorção de vitamina B12. Com isso, o monitoramento dos níveis dessa vitamina é ainda mais importante em quem utiliza metformina. Esta, porém, costuma ser prescrita para pacientes que apresentam diabetes do tipo 2.  

Quanto à ingestão de outros nutrientes, as autoras chamam a atenção para os cuidados que se deve ter com os antinutrientes, como fitato e oxalato. Estas substâncias, presentes em muitos alimentos, prejudicam a absorção de nutrientes necessários à saúde. Por exemplo, segundo as autoras, veganos devem ingerir boas fontes de cálcio, tais como vegetais com baixo teor de oxalato e fitato, produtos de soja, água mineral rica em cálcio, nozes e sementes. Elas afirmam que, de fato, os vegetais contêm boas quantidades de cálcio – advindo de alimentos como nozes, leguminosas e vegetais folhosos. Por outro lado, a absorção do cálcio é afetada por substâncias como o oxalato e o fitato, também presentes nesses alimentos.

E, para evitar esse problema, as autoras recomendam a adoção de certos métodos no preparo dos alimentos, como a técnica da imersão. Esta consiste em deixar as leguminosas, como feijão, lentilha e grão de bico, imersos em água por cerca de 12 horas, antes do cozimento. Se possível, a água usada na imersão deve ser trocada duas ou três vezes. De qualquer maneira, essa água deve ser descartada, pois é nela que estarão os antinutrientes.

A imersão favorece não apenas a absorção do cálcio presente nesses alimentos, como também do zinco, como referem as autoras. Este está presente nas leguminosas e também em outros grãos inteiros, cereais, nozes e sementes.

Para aumentar também a absorção do ferro presente nesses alimentos, as autoras recomendam o consumo de frutas e vegetais ricos em vitamina C. Para isso, estes deve ser consumidos em conjunto com os alimentos ricos em ferro, como as leguminosas e os vegetais folhosos verdes.

As autoras acrescentam que alguns especialistas propõem uma maior ingestão de proteínas para crianças veganas. No entanto, elas advertem que uma ingestão excessiva de proteínas durante a primeira infância pode causar efeitos adversos nos rins e favorecer o desenvolvimento de sobrepeso ou obesidade mais tarde na vida. Elas acreditam que as necessidades proteicas são facilmente atendidas quando a dieta inclui uma variedade de alimentos vegetais e a ingestão de calorias é adequada.

Para obter mais informações sobre a alimentação vegana para crianças, leia também Nutrição vegana após desmame – como deve ser? e Dieta vegana reduz risco cardiovascular na infância.


Referências bibliográficas:


Banner Página Livros 3

Cursos Recomendados:


Comentários