Testes de cosméticos em animais

Basta de testes de cosméticos em animais!

Na ciência contemporânea, há muita polêmica sobre a aplicação de testes em animais. Embora haja hoje uma gama enorme e crescente de alternativas que substituem os testes em animais, ainda se discute a necessidade dos mesmos em alguns casos específicos. Porém, o que muita gente não sabe é que o uso de animais em testes para produção de cosméticos é absolutamente desnecessário. Isso está bem estabelecido na ciência. Além disso, muitos desses testes são considerados ineficazes. Na realidade, as tecnologias existentes, que substituem os testes em animais, são muito mais eficientes. Não há, portanto, justificativa para a realização de testes de cosméticos em animais.

Boa parte do Brasil e do mundo já proíbe testes de cosméticos em animais

Mais de 40 países baniram os testes de cosméticos em animais. Na União Europeia, a proibição existe desde 2013. Reino Unido, Noruega, Austrália, Suíça, Colômbia, Nova Zelândia, Islândia, Israel, Coreia do Sul, Colômbia, Guatemala, Índia, Israel e vários estados americanos integram parte da lista que baniu esses testes. Entre os estados americanos que instituíram a proibição estão Maryland, Califórnia, Virgínia, Illinois, Nevada e Havaí.

Aqui no Brasil, a proibição também está sendo decretada. Pelo menos dez estados brasileiros já contam com leis que proíbem os testes de cosméticos em animais – São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará e Pernambuco. Apesar da resistência de certos fabricantes, essa medida beneficia o setor. Afinal, o ajuste favorece a comercialização dos produtos brasileiros nos países e estados onde os testes de cosméticos em animais estão banidos. A tendência crescente indica que os demais acabarão por aderir à proibição.

De fato, a lista de países e estados que proíbem os testes de cosméticos em animais continua crescendo. Muitos projetos de lei estão em análise e prestes a serem sancionados – isto é, convertidos em lei. Diante disso, os fabricantes que ainda realizam esses testes terão que se adequar. Se continuarem utilizando esse tipo de teste, ficarão fora do mercado.

Por que os testes de cosméticos em animais são desnecessários?

A proibição dos testes de cosméticos em animais em tantos estados e países comprova que eles são, de fato, desnecessários. Mas, o que os torna desnecessários? Em primeiro lugar, os ingredientes utilizados nesses produtos já foram amplamente testados e, por isso, não requerem mais testes. Sua segurança está bem estabelecida na literatura científica. Em segundo lugar, em função das diferenças entre animais humanos e não humanos, os testes em animais são pouco eficazes. Em terceiro lugar, hoje em dia, há uma variedade de testes muito mais eficazes que substituem o uso de animais. Isto significa que estes são excelentes opções para testar novos componentes ou condições.

Testes de cosméticos em animais são crueldade injustificada

No dia 27 de maio de 2021, a Folha de São Paulo publicou matéria em que o Victor Enfante, doutor em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, afirmou que os testes de cosméticos em animais caíram em desuso.

Porém, para ilustrar o sofrimento a que são submetidos os animais por quem ainda emprega os testes, Enfante deu alguns exemplos. Um deles é o teste de Draize, usado para testar o efeito de um produto em contato com os olhos. Neste teste, o produto a ser testado é colocado nos olhos de um coelho. Segundo o pesquisador, o animal não pode estar sedado. Isso porque a sedação comprometeria o resultado do teste. Este gera, portanto, intenso sofrimento. Além do mais, em função das diferenças entre o olho do coelho e o humano, a utilidade dessa técnica é questionável.

Outro exemplo comentado pelo pesquisador foi o teste de eficácia de produtos destinados a tratar queimadura solar. Nesse caso, usa-se ratos sem pelos, nos quais se incide luz com potência solar para provocar queimadura. Depois, testa-se a eficácia do produto em análise no tratamento da queimadura.

O pesquisador esclarece que, também para esses testes, existem alternativas que dispensam o uso de animais vivos. De fato, matéria do Veganismo e Ciência noticiou nota em que Emanuelle Rabelo, professora e pesquisadora da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), defendeu o fim da escravidão animal em pesquisas. Emanuelle Rabelo é também coordenadora da Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) da instituição. Ela declarou que “todos os seres vivos merecem nosso respeito e não podem ser considerados objetos de utilização por seres humanos para pesquisas e testes cruéis desnecessários”.

Aplicativos podem ajudar a identificar empresas cruelty free

Já existem aplicativos que permitem verificar se uma empresa é cruelty free – isto é, livre de crueldade – o que indica que a mesma não realiza testes em animais. Um desses aplicativos é o Bunny Free. O aplicativo é gratuito e permite que o usuário pesquise empresas pelo nome e informa se elas fazem ou não testes em animais.

Por outro lado, como apurado pelo Veganismo e Ciência, o Bunny Free não inclui ainda todas as marcas, como, por exemplo, a Skala e a Contente, que são cruelty free. Além disso, a L’Óreal, que consta no aplicativo como marca que realiza testa em animais, anunciou que não realiza tais testes e que emprega os métodos substitutivos. Logo, parece que, pelo menos por enquanto, os consumidores não devem se limitar ao uso de aplicativos para descobrir se uma marca é ou não cruelty free.

Salve O Ralph – curta sobre testes de cosméticos em animais

Salve O Ralph é um curta de animação produzido pela The Humane Society of the United States, da Humane Society International (HSI), uma das maiores organizações de proteção animal do mundo. O curta, que aborda a crueldade dos testes em animais, promove a campanha #SaveRalph​ da HSI. O personagem da história é um coelho chamado Ralph que representa os incontáveis animais que sofrem todos os dias cruel, desnecessária e incessantemente. O fim dessa tortura está nas nossas mãos. Basta não comprar os produtos que ainda realizam testes de cosméticos em animais.

O curta está disponível no Youtube.


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